quarta-feira, 19 de junho de 2013

HUMANISMO ; novas notas sobre coisas de humanos.


TEXTOS com adaptações de Joston Miguel.·.

I – SOBRE A MOCIDADE.

Definir a Mocidade como um período de vida é erro, pois ela é, acima de tudo, um Estado de Alma. Iludem-se aqueles que consideram a Mocidade um conjunto de determinadas condições físicas: pele clara, faces rosadas, cabelos fartos, músculos ágeis e resistentes. Pelo contrário, a Mocidade reside em certas energias do espírito, em limitadas qualidades de imaginação, no vigor de certas emoções e no frescor das fontes sobrenaturais em que o indivíduo vai saciar as alegrias sãs da vida.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    O homem vulgar envelhece com o desfiar dos dias e o amontoar dos anos; o espírito superior, porém, indiferente ao escoar inexorável do tempo, só se sente envelhecer com a perda de seus ideais, com o aniquilamento de suas ilusões e com o abandono de seus sonhos. É jovem aquele cuja coragem excede a timidez; implanta-se a senectude naquele cuja ânsia de aventura é vencida pelo desânimo e que só ambiciona viver tranquilo e repousado.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         A idade, já disse Buffon[1], não passa de um deplorável preconceito aritmético. Que importa ter noventa, trinta ou dezessete anos de idade? Que importa? És jovem com tua Fé; és velho com tuas Dúvidas.                                                                  Mede a tua Mocidade pela confiança que tens em ti mesmo; mede-a pelo poder da tua esperança e pelo esplendor de teus sonhos! Avalia e pesa a tua ancianidade pelo ceticismo mordido que porventura envenena teu coração. Atualmente se distingue bem o velho do idoso; considera-se um insulto chamar um ancião de velho, já que as coisas velhas são imprestáveis e devem ser jogadas fora, no lixo. Já o idoso, embora rico em anos, é visto como muito rico em experiências de vida, sendo digno de todo respeito e consideração.

[1] Buffon, naturalista francês, autor da “História Natural”, segundo. Van Jafa.

Fonte: Malba Tahan, em SOB O OLHAR DE DEUS, 6.ª edição, pela editora Conquista.


 

II – ACASO, SINCRONICIDADE, FATALIDADE, DETERMINISMO,  ou CARMA?

Determinismo é a Filosofia de que os acontecimentos físicos e os atos humanos dependem de causas internas e, ou externas, que geralmente escapam ao nosso controle. A erupção de um vulcão e o planejamento da construção de uma casa são exemplos do Determinismo. Uma presunção básica aqui é a da existência do Livre Arbítrio que poderia atuar, criar, modificar e redirecionar essas causas, mas sempre com muito esforço e dispêndio de energia. Decorre daí a hipótese de que a Liberdade é um mito (Vide Skinner: O MITO DA LIBERDADE).

Spinosa requintou esse racionalismo, sustentando o Panteísmo, pelo qual tudo está sujeito a um determinismo inexorável de uma consciência divina presente em tudo e em todos: tudo que acontece resulta de leis e regras dessa consciência divina. Buda afirma, num de seus ensinamentos, que “existe a ação, mas não alguém que faça”, “existe a visão e a audição, mas não há alguém que veja ou escute”. Existe sempre e permanentemente a manifestação do divino em tudo e em toda a parte. Daí as superstições, as crenças e as religiões que procuram controlar, manipular essa ou essas “ forças ou inteligências” a seu favor, quando só é possível a tomada de consciência dessa atuante e inteligente energia divina.

No Fatalismo se afirma a existência de uma força cega, direcionada a objetivos inescrutáveis e incompreensíveis de um Deus não humano, diante do qual o Livre Arbítrio não existe.

O Acaso foi explicado por Koestler[2] com a coincidência de interface de dois sistemas independentes entre si, num período de tempo favorecendo a ocorrência de fenômenos tidos como milagrosos ou sobrenaturais, tanto os de natureza boa ou desastrosos. Alguns jogadores ganharam fortunas em cassinos, mas apenas num determinado dia e por algumas horas – período da interface de dois sistemas – e não fora desse período. Essa “coincidência” de sistemas foi chamada de SINCRONICIDADE supostamente presente em todos os milagres.

Carma é uma visão espiritualista que afirma a existência do Livre Arbítrio e da Liberdade de Escolha do ser humano diante de infinitas possibilidades de sonhos, manifestações e realizações, mas tudo dentro de Leis inexoráveis como: a plantação é livre, mas a colheita é obrigatória; quem com ferro fere, com ferro será ferido; não existem erros, mas caminhos para o atendimento de necessidades reais ou imaginadas, assim, os resultados bons ou funesto são apenas lições; é dando que se recebe; sua liberdade termina onde começa a de seu semelhante; o objetivo único da vida é a expansão da consciência num eterno vir-a-ser de busca e manutenção da felicidade (Felicidade aqui é harmonia, bem-estar, sensações prazerosas de viver e de se sentir vivo). Como esse resgate não é possível numa só vida, tendo em vista que, em cada existência, resgatando umas dívidas adquirem-se outras a serem redimidas, daí a plausível hipótese das sucessivas reencarnações. O limite dessas inúmeras vidas está na expansão da consciência até a Consciência Cósmica.

² Koestler em AS RAZÕES DO ACASO.

III – A AVAREZA.

A Avareza é tida como a primeira prova de baixeza da alma. Na história muitos famosos foram os avarentos e Malba Tahan¹,  afirmando que “a maldita raça dos avarentos prolifera”, cita Bernard Shaw como um dos mais mesquinho do seu país; André Gide, de privilegiado talento e rico, grosseiramente recusava-se a qualquer ajud dizendo “Não tenho dinheiro”; Anatole France, notável criador de Taïs, era sovina; o filósofo Kant, o crítico Sainte-Beuve e o poeta Guerra Junqueiro eram avarentos.

Não se pode aceitar a avareza que encerra em si todas as depravações do caráter, senão como uma doença que envenena e  mutila a alma. Nos grandes centros deveria haver sanatórios para avarentos como há hospitais para loucos e tuberculosos. Logo que a esposa observasse no marido sintomas de sovinice providenciaria sua internação para ficar pelo necessário tempo sob os cuidados de médicos e psicólogos especialistas.

Iludem-se os que pensam os avarentos como solteirões, sem lar e detestando vida em família. A verdade é que existem muitos de extremada sovinice casados, com filhos que não dão esmolas, ignóbeis em todos os aspectos da vida, unidos por interesse. Esses transformam as esposas, não como companheiras, mas como criadas para todo o serviço. O medo de gastar esses miseráveis privam as esposas e os filhos de tudo. Para eles todo pequeno conforto é luxo dispendioso, pois o dinheiro é o objetivo único e final de suas vidas (Pág. 179-181)¹.

Na maioria dos casos, apenas os herdeiros são os beneficiários dos avarentos. Contudo, atualmente  graças ao chamado sigilo bancário e o uso de senhas para acessar contas, fortunas acham-se retidas em inúmeras instituições financeiras. Os sovinas que julgam fugir do pagamento de impostos têm, inclusive, seu rico dinheirão depositado em paraísos fiscais no exterior.

Fonte: Malba Tahan, em SOB O OLHAR DE DEUS, 6.ª edição, pela editora Conquista.

HUMANISMO, coisas de humanos. O prezado leitor ou amável curiosa, vocês são humanos, não?

 



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